quarta-feira, 23 de maio de 2012

Jaz


Foto de http://www.matimage.blogspot.com

















É morto meu sonho supremo.
Avanço no igapó da vida
em idades deslizadas a remo.

À noite luarada, becos de rios
                           [asfaltados
refletem minha atenção refratada.

De repente, uma lembrança
como que ressurgida nasce.
 
[Olho para cima.]

Em ocos de troncos e ramos
                                [secos
é onde habita minha esperança
                            (aspergida).


(Eduardo Magalhães .'.)

terça-feira, 17 de maio de 2011

Só saudade


Vejo-te, esmerada,

minha lua.


Lembro-me de ti

e teu sorriso luminoso

inda me guia.


Tua imagem,

impregnada em mim

como qualquer coisa sem referência

neste mundo de sombras.


O vento murmura

e traz consigo teu cheiro.


Cerro os olhos.

Sinto qualquer coisa

plasmada como um beijo.


Onde estiveres,

saibas que estou bem.

É só a saudade de ti.


Eduardo Magalhães .’.


segunda-feira, 16 de maio de 2011

Pousa, passarinho


Absorto em pensamentos comezinhos

pousa num comungol um passarinho

(e como é pequenino!)

liberando de seu peito um canto.


Belo passarinho com peito inflando

vem sempre que quiseres derramar

teu canto. Assim, encontrarei meus

pensamentos perdidos de menino.


Eduardo Magalhães .’.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Se fujo? Fujo.


Fujo das brigas, do discutir a relação,
da análise dos fatos, do racionalismo,
e vou logo à boca, ao beijo.

Acabo sempre desafogando as amarguras,
a luta, a resistência no cheiro do corpo.
Me perco e me encontro.

Acabo na boca acolhedora, no corpo morno
de cheiro imanente.

Acabo sempre no transe, no hipnótico
que me arrebata no revirar de olhos,
no sentido demasiado à flor da pele.

Derramo-me, dissolvo-me e recolho-me
à boca, sempre à boca -
sossegada, pacífica -,
na paz ou na guerra.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Minha deusa

Tu vens. E como uma deusa
Me arrebatas. Com um só olhar
Me desarmas, num desfolhar
Deste servo que te endeusa.

Tu és minha estrela e eu teu amado,
Que tudo dá por um só beijo teu.
Que tudo o que é, foi e será te deu
Somente para te amar neste amor indomado.

És minha deusa e eu teu consorte.
Em nosso duplo sacrossanto templo,
Unido a ti, em êxtase te contemplo,
Ultrapassando a vida e a morte

Além de mim, onde tudo se completa,
E de ti, onde aquilo em que se penetra
Não se confunde, mas se interpenetra
Em incontáveis dimensões locupletas.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Solidão

Solidão, doce solidão.
Minha fiel companheira
neste louco mundo de cão.
Sempre me acompanhas inteira

(e não em pedaços ou fragmentos
de presenças e atenções)
e ouves placidamente as objeções
nos momentos de dores e sofrimentos

deste teu rebento misantropo
que, assaz, perde-se em intermúndios
revirando cinzentos latifúndios
à procura de um antigo escopo.

Quando todos se vão, tu ficas.
Por isso nunca estou só,
porque tu és de minha garganta o nó.
Eu te degluto e tu me pacificas.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Jardim da morte

No jardim de sombras da morte,
Onde relaxo e espero minha sorte,
Ouço uma melodia que acalma
E sublima minha atormentada alma.

Pianos doces e silvos aprazíveis
Soam como antigos amigos invisíveis.
Um violoncelo toca sua canção grave e bela
E o som do mar quebra em ondas de ternura.

A morte, gentil e nívea,
Joga comigo uma última partida,
E diz, com olhos de candura:
"A última sempre venço.

Agora, venda-te com este lenço,
Que chegou a hora da tua ida.
Pega o barco, tuas moedas e vai.
Esperam-te do outro lado."

Parto eu calmo, sereno e calado.
Descansado de minha última caminhada,
Deixo o gélido aconchedo do jardim da morte
E sigo para outra jornada.